Carlos Wolkartt
Atualmente, muitos pregadores vêm abandonando as
antigas concepções sobre a queda e a ruína do homem e não mais advertem a seus
filhos de que são pecadores culpados ante Deus. Falar do fim último (morte,
juízo, inferno ou glória) já passou da moda. As pregações de nossos
antepassados que insistiam sobre estas verdades são, em geral, marcas de
reminiscências de alucinações tenebrosas. Hoje se fala nos púlpitos de tudo:
política, economia, sociologia, humanismo, psicologia, pseudo-êxtase,
pseudo-caridade, etc.; porém já não se fala muito (ou nada) do dogma, da
piedade, ou das verdades necessárias para salvar o homem. Parece que este
último, muitos consideram “antiquado”.
No entanto, há pelo menos um pregador da antiga e
sábia escola: fala hoje em dia tão forte e claramente como nunca, pois quanto
mais se aumenta a população, mais se deixa ouvir. Não é um pregador popular;
não obstante, o mundo inteiro é seu palco; é poliglota. Visita os pobres, passa
pela casa dos ricos; é frequentemente encontrado em asilos de necessitados como
nas fileiras mais distintas da sociedade. Prega a todos, tanto aos que tem
religião como aos que não a tem. É eloquente; frequentemente desperta sentimentos
como nenhum outro pregador poderia fazê-lo. Enche os olhos de lágrimas daqueles
que não costumam chora. Dirige-se à inteligência, à consciência e ao coração de
seu auditório. Nada, jamais, pode refutar seus argumentos. Quase todo o mundo
busca iludir-se ao ignorá-lo, mas, no entanto, ele faz sua voz ser ouvida por
todos. Não é refinado nem cortês. Às vezes, interrompe cerimônias públicas e se
apresenta repentinamente em meio de prazeres da vida privada.
É inevitável. Algumas vezes nos adverte, nos dá algum
aviso; em outras, é drástico e definitivo. Seu nome? Morte. Quem já não ouviu
falar desse velho pregador? Toda lápide lhe serve de púlpito. Os noticiários
sempre lhe reservam um lugar, quase sempre de destaque. Sempre anuncia o pôr do
sol de uma vida. Quase sempre se vê os súditos desse soberano pregador irem e
voltarem do cemitério, e até mesmo em alguma ocasião seguramente já se
dirigiram, de alguma maneira, a ele.
A repentina partida de um vizinho, a solene despedida
de um apreciado parente, a perda de um amigo íntimo, o terrível vazio deixado
no coração quando a esposa querida abandonou esta vida, ou quando alguém se viu
privado do filho que amava: todas estas situações são advertências solenes do
velho pregador. Quantos têm recebido? Um dia, talvez em breve, tu mesmo lhe
proporcionarás seu argumento; entre tua família aflita e sobre tua tumba, se
ouvirá sua voz e sua pregação, indiscutivelmente, pois mais cedo ou mais tarde,
eles também irão.
Assim, de coração, volve-se para Deus imediatamente
para agradecer-Lhe por estar ainda na terra dos vivos e por não estar morto sem
pôr em regra a questão de teus pecados no confessionário. Você pode, se quiser,
livrar-se da Igreja, rejeitar a Sagrada Escritura, refutar todas as suas histórias,
escarnecer de seus ensinamentos, menosprezar suas advertências, rejeitar a
Cristo, não assistir o Santo Sacrifício da Missa, não receber os sacramentos
nem rezar diariamente; pode, se quiser, evitar os sacerdotes de Cristo, pois
nada te pode obrigar a ir à igreja; pode fazer pouco caso deste escrito e de
tudo que se lhe parece. Pode fechar os olhos e os ouvidos a qualquer assunto
sobre Deus. Pode até chegar o dia no qual os incrédulos, aqui nesta nação,
tratarão como criminosos todos aqueles que queiram confessar a Cristo em voz
alta ou por escritos, como já aconteceu e está acontecendo ao longo da
história.
Mas se você se livrar de tudo isso, que fará com
aquele velho pregador? Haverá possibilidade de ignorá-lo ou livrar-te dele como
fizeste com todos e com tudo o que te falava de Deus? Há milhares de anos que
este velho pregador prossegue seu caminho; a experiência e todos os
historiadores, sagrados e profanos, dão o mesmo testemunho a seu respeito, de
modo que não é razoável crer que será diferente quando chegar a sua vez.
Reflita sobre o futuro que te espera. De que vale
riquezas e honras, prazeres e divertimentos fúteis quando o corpo volta ao pó?
Depois de tudo, morrerás como todos os humanos, e todas essas coisas ficarão
neste mundo.
Não podemos pensar na morte sem sermos conduzidos a
dizer: há algo terrivelmente anormal com o ser humano. Por quê? Será por acaso
que um ser dotado de tão grandes capacidades deve acabar de um modo tão triste?
Há uma única resposta que o velho pregador – que não quer “pôr-se em dia” nem
ser politicamente correto – recordará uma ou outra vez: O pecado entrou no
mundo por um só homem, e pelo pecado, a morte.
A queda do homem não é um simples dogma teológico, é uma crua realidade.
O pecado não é um termo retórico que se encontra na Bíblia ou no Catecismo, é
algo totalmente vigente e atual, cuja presença condena o mundo e cujos estragos
não têm limites.
A morte passou a todos os homens com a queda do homem.
Herdamos o pecado original e, infelizmente, desfrutamos dessa herança. A
sentença de morte foi pronunciada contra ti e contra mim também. Um homem
inocente pode exigir que se lhe faça justiça, porém para um culpado, o justo é
o castigo. A graça santificante é a única esperança do pecador. Como a
adquiriremos? Para sermos perdoados por Aquele que tem o poder de nos condenar,
devemos nos apresentar ao confessionário. Ali Cristo atua na pessoa do
sacerdote – a quem se delegou Seu poder – que absolve. É ao confessionário e a
essa necessidade de misericórdia que deve conduzir-te o velho pregador. É
impossível negar que “o salário do pecado é a morte”, porém a esse terrível e
constante sermão responde a mensagem da graça de Deus. Desde a queda do homem
foi anunciado um libertador: o Filho de Deus que morreu na Cruz. Nunca falou o
velho pregador de uma maneira tão solene e eloquente como no Calvário. Cristo,
que não havia conhecido o pecado, ao tomar sobre Si os nossos crimes, padeceu a
morte como preço do pecado. Ele viveu sem pecado, e morreu por causa do pecado.
Se morrermos sem fé e em pecado, nos condenaremos
eternamente, não há dúvida disto; não obstante, Deus nos ama e entregou seu
amado Filho, Jesus Cristo, para nos livrar desse terrível final.
Cristo nos chama uma ou outra vez ao arrependimento e
a crer nEle e em Sua Igreja fundada na rocha que é Pedro. Ele te oferece a vida
eterna. Só te pede, depois do batismo, duas coisas: fé e obras. Crer nEle e
seguir os mandamentos e ensinamentos que deixou em custódia na Sua Igreja, que
é o verdadeiro meio de salvação eterna. Cristo nos abriu as portas da
bem-aventurança eterna com Sua Redenção, porém para que ela te seja aplicada se
requer que tu a aceite, pois quem te criou sem ti, não te salvará sem ti. Fé e
obras. Isso é tudo. Fácil? Certamente não, a porta é estreita, mas com a ajuda
da graça, lograr-te-á.
Aceitas o dom que Deus te oferece? Faz-lo, agora que é
tempo, pois logo será tarde. Desse modo, poderás enfrentar com virtude aquele
momento definitivo em que, finalmente, te encontrarás com o velho pregador...
Certamente, os pregadores que calaram estas verdades,
também terão um encontro com ele. É inevitável. Eles que se aggiornaram com as
máximas do mundo e buscaram adequar a verdade ao gosto do homem; eles que
calaram – ou até mesmo negaram – verdades de fé que incomodavam e tacharam de
antiquado o velho pregador, enfrentá-lo-ão finalmente com terríveis
consequências. Pregadores que não te advertem sobre o fim último, não servem.
Não os siga. Atende tu a esse velho pregador que nunca buscou congraçar-se com
nada, nem agradar o mundo para ser politicamente correto. Atende sua voz. Sua
mensagem salvará tua alma.
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Nota: É prudente registrar que se
fala aqui da morte como um pregador em sentido metafórico, pois a morte não é
um ser (como alguns tolos crêem e lhe oferecem culto), senão o estado no qual
há o desprendimento da alma.
