A Verdade, segundo Santo Anselmo de Cantuária

PREFÁCIO

Elaborei outrora em tempos diversos três tratados referentes ao estudo da Sagrada Escritura, semelhantes pelo fato de terem sido compostos na forma de interrogação e resposta, sendo a pessoa que pergunta indicada pelo nome de discípulo, enquanto a de quem responde, pelo nome de mestre.

Na verdade, publiquei de modo semelhante um quarto tratado que julgo não ser inútil aos que se iniciam na dialética e cujo princípio é a obra Sobre o Gramático, mas não quero contá-lo junto com estes, visto que pertence a um estudo diferente desses três tratados.

Um deles é o Sobre a Verdade, isto é, o que é a verdade, em que coisas se costuma dizer que ela existe, e o que é a justiça. O segundo tratado é o Sobre a Liberdade do Arbítrio, o que ela é, e se o homem sempre a possui, e quais são as suas diferenças em quem possui ou não possui a retidão da vontade para cuja conservação ela foi outorgada à criatura racional. Nele mostrei apenas a força natural da vontade necessária para conservar a retidão recebida, mas não indiquei quão necessário é para isso mesmo que a graça acompanhe a força da vontade. O terceiro tratado versa sobre a questão em que se investiga em que pecou o diabo, que não permaneceu na verdade, uma vez que Deus não lhe concedeu a perseverança que ele não podia ter a não ser que Deus a desse, portanto, se Deus a tivesse dado, ele a teria conservado, tal como os anjos bons a possuíram porque Deus a concedeu a eles. Intitulei esse tratado Sobre a Queda do Diabo, embora aí eu tenha falado sobre a confirmação dos anjos bons. Na verdade, foi incidentalmente que eu falei dos anjos bons, pois o que escrevi sobre os maus era o objetivo da questão. Certamente, embora esses tratados não concordem por nenhuma continuação da composição, a sua matéria e a semelhança da discussão exigem que sejam compostos ao mesmo tempo naquela ordem em que os mencionei. Quero ordená-los, contudo, do modo como aqui os coloquei, ainda que tenham sido transcritos em outra ordem por certas pessoas apressadas, antes de estarem terminados.
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Só desejo um único alívio: repousar sobre o vosso coração


Ficarei na porta do Paraíso até o último dos meus filhos entrar.
                                                                                                            (S. Padre Pio)

Ficai comigo, Senhor, porque Vossa presença me é necessária para não Vos esquecer. Bem sabeis quão facilmente Vos abandono…
Ficai comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso de Vossa fortaleza para não cair tantas vezes.
Ficai comigo, Senhor, porque sois minha vida e sem Vós me esmorece o fervor.
Ficai comigo, Senhor, porque sois minha luz e sem Vós me acho em trevas.
Ficai, Senhor, comigo, para me mostrardes Vossa vontade.
Ficai, Senhor, comigo, porque desejo amar-Vos muito e estar sempre em Vossa companhia.
Ficai comigo, Senhor, se quereis que eu Vos seja fiel.
Ficai comigo, Jesus, porque minha alma, conquanto paupérrima, todavia quer ser para Vós um habitáculo de consolação, um ninho de amor.

Ficai, Jesus, comigo, que entardece e o dia se vai… isto é, a vida passa… a morte se avizinha… avizinha o juízo, a eternidade… e é mister redobrar minha forças para não desfalecer no caminho, e para tal preciso de Vós. Entardece e vem a morte… Inquietam-me as trevas, as tentações, a aridez, as cruzes, as penas, e ah! como preciso de Vós, meu Jesus, nesta noite de exílio.
Ficai, Jesus, comigo, pois preciso de Vós nesta noite da vida e dos perigos.
Fazei que eu Vos conheça como Vos conheceram os discípulos de Emaús ao partir do pão, isto é, que a união Eucarística seja a luz que dissipa as trevas, a força que me sustenta e a única felicidade do meu coração.
Ficai, Senhor, comigo, porque, ao chegar a morte, quero estar unido a Vós, se não pela Santa Comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Ficai, Jesus, comigo! Não Vos peço Vosso divino consolo, pois não o mereço, mas o dom de Vossa santíssima presença. Oh! sim, Vo-lo peço!
Ficai, Senhor, comigo! Busco somente a Vós, o Vosso amor, a Vossa graça, a Vossa vontade, o vosso Espírito, porque Vos amo e não peço recompensa alguma, senão aumento de amor.
Amor sólido, prático. Amar-Vos com perfeição por toda a eternidade. Assim seja.


25 de maio de 2011: 124º aniversário natalício de São Padre Pio de Pietrelcina

A existência do Padre Pio é, decerto, o milagre mais espantoso do nosso século. Hoje, tal como sempre, o homem de sentidos grosseiros, ai de nós, tem necessidade do milagre para acreditar, e Deus continua a ter piedade, continua a deixar florescer na terra a flor da sobrenaturalidade.

Padre Pio nasceu há [124 anos – 25 de maio de 1887] numa vila, distante cinco quilômetros de Pietrelcina, pequena cidade de 5000 habitantes, hoje centro famoso de peregrinação. Quem não desejará ver o lugar onde nasceu e foi criança aquele que, como S. Francisco de Assis, havia de comparticipar na Paixão de Cristo, e oferecer aos homens a imagem viva da transverberação?

Seminarista, muito novo ainda, durante um passeio parou no bifurcamento das duas estradas, uma que conduz ao Benavento e outra a Pesco Sannita e exclamou: “Que maravilhoso cheiro de incenso, que maravilhosos cantos franciscanos! Neste sítio há de erguer-se um dia um mosteiro”.

Riam-se os companheiros. Todavia, a profecia fora ouvida – o sonho do seminarista é hoje uma realidade.
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Cur Deus Homo

Santo Anselmo

Tenho sido rogado freqüentemente por muitos, oralmente e por carta, que expusesse por escrito por qual necessidade e por que razão Deus, sendo onipotente, tomou a humildade e a enfermidade da natureza humana para poder salvar-nos.

Tentarei satisfazer aos seus pedidos, para que se deleitem das coisas que crêem pela inteligência e pela contemplação, e possam, o quanto puder, estarem preparados para darem uma satisfação àqueles que lhes perguntarem sobre a nossa esperança.

Vejamos primeiramente o que é pecar, e o que é satisfazer pelo pecado.

Se o anjo ou o homem sempre dessem a Deus o que lhe é devido, nunca pecariam, pois nada mais é pecar do que não dar a Deus o que lhe é devido, isto é, toda a vontade da criatura racional sujeita à vontade de Deus.

Quem não dá a Deus isto que lhe é devido, tira de Deus o que lhe é devido e o desonra, e isto é pecar. Enquanto não devolver o que é devido, permanece em culpa.
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Sobre o ódio e o amor aos inimigos

Santo Afonso Maria de Ligório

 

Se todos são obrigados a exibir ao inimigo sinais comuns de amor.

É certo que os inimigos devem de algum modo ser amados, já que são próximos. É a sentença de Santo Tomás e, com ele, comumente a de todos. Mas pergunta-se sobre o modo, e se pode-se ter ódio do inimigo.

Respondo primeiro que qualquer homem, pelo menos o particular, é obrigado a exibir ao próximo, mesmo ao inimigo, sinais comuns de amor e benefício, por preceito. É obrigado a exibir sinais especiais, porém, apenas por conselho, a não ser que, de outra origem, surja uma razão de obrigação. Esta é a sentença comum que, com Laymann, procede de Santo Tomás.

Digo sinais comuns, que são aqueles que, segundo Caetano, são devidos por um cristão a qualquer outro cristão em geral, a um cidadão por outro cidadão, a um parente por outro parente. A razão para isto é que negar estes sinais significa vingar uma injúria, o que não é lícito para nenhum particular.

Digo também, a não ser que de outra origem surja uma razão de obrigação, a qual seria, por exemplo, o temor do escândalo devido à omissão, a esperança da salvação do inimigo, uma necessidade temporal ou espiritual, a deprecação da culpa e a exibição de sinais especiais de amor. A razão é que, nestes casos, a negligência destes sinais especiais seria uma declaração externa de ódio. Assim o afirma Laymann.
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Sobre a Diferença entre a Palavra Divina e a Humana

Santo Tomás de Aquino

INTRODUÇÃO

1. Para entender o vocábulo “palavra”, é preciso saber que, como diz Aristóteles, aquilo que é expresso com a voz é signo do que há nas potências da alma.

2. Ora, é usual que na Sagrada Escritura se atribuam os nomes dos signos às realidades significadas, e, reciprocamente, como quando se diz: “A pedra, porém, era Cristo” (I Cor X, 4).

3. Segue-se, pois, necessariamente, que se chame também “palavra” àquilo que está presente interiormente na nossa alma e que exteriormente é significado pela voz mediante a palavra.

4. Não tem a menor importância para esta nossa discussão se o nome “palavra” é mais adequado à realidade exterior, proferida pela voz, ou ao próprio conceito interior da alma. É, no entanto, evidente que o conceito interior na alma precede a palavra proferida vocalmente e é como que sua causa.

5. Se, pois, quisermos saber o que é essa “palavra interior” (o conceito) em nossa alma, examinemos o que significa a palavra proferida exteriormente pela voz.
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A Fraude de Medjugorje


Aqui está um belo trabalho do Sr. Michael Jones. Nele encontramos, claramente, o óbvio sobre as Aparições de Medjugorje: uma farsa tremenda! Vale a pena ler, entender e perceber a impossibilidade da presença de Nossa Senhora em meio às tramas de mentiras, desobediências e interesses próprios.
Tradução: Blog Christe Eleison.
Boa leitura.


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Este vosso servo tem a honra de apresentar neste blog a tradução brasileira da primeira parte do estudo sobre a fraude de Medjugorje, escrito pelo historiador e filósofo católico americano, Dr. E. Michael Jones, diretor da revista Culture Wars e autor ainda inédito no Brasil. Dr. Jones vem há décadas dedicando-se ao estudo e à denúncia das falsas aparições marianas de Medjugorje. Em Os Fantasmas de Surmanci, Dr. Jones articula um paralelo entre as falsas aparições e uma série de massacres ocorridos nas proximidades de Medjugorje no início da Segunda Guerra Mundial, quando centenas de sérvios foram massacrados pelo governo croata pró-nazista, com o auxílio dos padres franciscanos da região, os mesmos que patrocinam as pretensas aparições.

Aqueles que lêem inglês e pretendem aprofundar-se no assunto, podem adquirir aqui o livro do Dr. Jones sobre Medjugorje, The Medjugorje Deception: Queen of Peace, Ethnic Cleansing, Ruined Lives (A  Fraude de Medjugorje: Rainha da Paz, Limpeza Étnica, Vidas Arruinadas), de que o texto aqui traduzido é o começo. Certamente não se arrependerão. Não resta dúvida de que o material reunido no livro é suficiente para destruir para sempre a credibilidade das aparições de Medjugorije.

O texto original em inglês está aqui. A tradução é de Yours Truly.
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Sobre a interpretação da Sagrada Escritura

Somente a Igreja Católica pode interpretar corretamente a Sagrada Escritura. O Livro Sagrado é de difícil compreensão, o qual necessita de uma inspirada interpretação, porque in claris, non est interpretatio – o que é claro, não permite interpretação. Logo, a Sagrada Escritura, por não ser clara em si, necessita de interpretação, e por ser um Livro Sagrado que foi escrito inspirado pelo Espírito Santo, requer que sua interpretação também seja necessariamente inspirada pelo mesmo Espírito. Se foi o Espírito Santo quem escreveu pelas mãos do homem, é o Espírito Santo quem deve interpretar o que escreveu pela boca do homem. De certa forma que os homens que escreveram e interpretaram os Livros Sagrados foram somente – e nada mais – instrumentos do Espírito Santo.

Antes de tudo, é preciso saber que o mesmo Espírito acompanha a Igreja desde Pentecostes, e assim continuará até a consumação dos séculos. São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, relata a descida do Espírito Santo sobre os doze e sobre a Virgem Santíssima. Era o dia final da Festa da Colheita [1], e “estavam então residindo em Jerusalém Judeus, homens religiosos de todas as nações que há debaixo do céu” [2]. Era o quinquagésimo dia depois da Páscoa, quando o Paráclito desceu sobre os doze apóstolos e Nossa Senhora [3], para que se cumprisse a promessa de Cristo: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Consolador, para que fique eternamente convosco” [4].

Com isso, pode-se questionar: por que o Espírito Santo desceu somente sobre os doze apóstolos e a Virgem Maria, enquanto Jerusalém estava repleta de homens de todas as partes do mundo?

Sobre a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

A consagração da Rússia já foi realizada.

Dentro de tantas confusões teóricas sobre a Consagração da Rússia, houve uma de que para que a Consagração fosse válida era preciso que o Papa o fizesse com todos os bispos do mundo.

Vejamos o techo da Mensagem: "Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sufrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será consedido ao mundo algum tempo de paz" (Redação feita pela Irmã Lúcia na “Terceira Memória”, de 31 de agosto de 1941, destinada ao Bispo de Leiria-Fátima).

Nossa Senhora afirma que o Santo Padre consagraria a Rússia ao seu Imaculado Coracao e não o Santo Padre e "todos os bispos do mundo". O Papa Pio XII consagrou especificamente a Rússia em 1952. Isso pode ser comprovado na carta apostolica do dia 7 de Julho de 1952 disponivel no site do Vaticano na carta intitulada "Sacro vergente anno - Consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria" (7 de julho de 1952) da qual destaco um trecho: "Assim como a alguns anos atras, nós consagramos todo genero humano [1942] ao Coração Imaculado da Maria Virgem, Mae de Deus, hoje nós consagramos e de uma forma mais especial confiamos todos os povos da Rússia a este Imaculado Coração ... " (Sacro Vergente Anno, Pio XII)
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